Cabelo natural, transição capilar | Marci Marciano | Consultora de Imagem

Cabelo natural, transição capilar

Faço alisamento desde os 12 anos, meu cabelo era enrolado, armado, vivia com ele preso, no final dos anos 90 a moda era liso chapado e loiro, e o meu era bem enrolado e preto, pensa bem como era viver em uma escola de elite do ABC onde todas as meninas eram magras, ricas e tinham cabelo liso.
Sofri um bullying sem fim, seja por causa do cabelo, do sobrepeso, dos óculos ou da prima famosa, mas o bullying era grande.

Quando decidi mudar

Um belo dia decidi que não seria mais aquela pessoa, que ia mudar. Passei minha adolescência tentando emagrecer, mas pense, se isso é um problema ainda hoje, imagine no alto dos 12 anos. Mas o resto eu podia mudar, minha família não me deixava alisar porque era muito nova e os produtos da época cheiravam mal, e como tenho bronquite eles tinham medo de causar alguma reação, mas teimosa que sou, juntei meu dinheiro do lanche e quando tinha o suficiente fui na perfumaria e comprei o alisante, lembro até o hoje o nome, chamava Wellachic. Cheguei em casa e fui aplicar no cabelo, derrubei todo o neutralizante no chão, tive que chamar minha madrasta pra me ajudar, ela riu e acabou virando piada minha tentativa de alisar, mas como o cheiro ficou forte demais no dia seguinte não fui pra escola e tive que ir ao cabeleireiro arrumar o que eu tinha feito, e foi lá em 1997 que começou minha saga com o cabelo liso.
Nesta mesma época troquei os óculos por lentes de contato e passei a me sentir melhor comigo mesma, o bullying continuava mas me incomodava menos.
Transição capilar meu cabelo natural

Esta sou eu aos 12 anos, me sentia feia, esquisita. Morri de vergonha destas fotos por anos, e hoje quero compartilhar com vocês que esta sou eu, não tenho mais vergonha do que fui porque esta menina virou a mulher que sou hoje e tenho muito orgulho da pessoa que eu sou. E nada como se cuidar e ir atrás do que te faz bem para se sentir confortável. Evoluir a aparência física não pode ser o maior objetivo da sua vida, somos muito mais que isso.

E agora

Vinte anos se passaram desde então, e graças a Deus o mundo mudou, hoje o que importa é ser diferente, é se aceitar como você é. Ainda temos a pressão de nos encaixarmos em um padrão? Claro! Mas vejo muito mais referências do que quando era adolescente, hoje temos diversidade na beleza, e com isso a onda da transição capilar.
Adoro meu cabelo liso, mas a tal da progressiva passou a não ser saudável pra mim, perdi muito cabelo neste processo e passei a sentir necessidade de me ver diferente, de ser eu mesma, de entrar neste movimento e me libertar de toda a carga que sentia por causa do cabelo.
A verdade é que tenho muito orgulho de onde vim, da minha família de quem herdei este cabelo e não tem porque continuar me escondendo atrás de um alisamento, por isso em março deste ano entrei no processo de transição capilar e estou me sentindo bem. Gosto de mim como estou agora, o cabelo fica estranho, com 2 texturas diferentes, mas faz parte do processo, confesso que é fascinante ver aquele cabelo ondulado vindo de novo. Se vou me aceitar cacheada já é outra história, mas sinto uma liberdade imensa em ser quem realmente sou.
É isso gente!
Boa semana!

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Marci Marciano

"Vejo a moda como a principal ferramenta para expressar aquilo que somos e elevar a auto estima."

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