Sobre feminismo, a cultura do estupro e o direito de ir e vir | Marci Marciano | Consultora de moda

Sobre feminismo, a cultura do estupro e o direito de ir e vir

 

Descobri que sou feminista há mais ou menos 2 anos. Fui criada pela família do meu pai, desde os 11 anos, chamo minha “vódrasta” de mãe, minha madrasta de madrasta, é meio confuso rs

Vamos ser sinceras, o feminismo lindo, poderoso, da sororidade e de forma clara ainda é novo, aprendi muito com a Carla Lemos e a Beyoncé, antes era algo agressivo, uma briga entre homens e mulheres, o que me deixava confusa. Mas analisando pelo que temos hoje, fui criada em um lar feminista. Meu pai me ensinou que eu deveria me sentir bonita pra mim, que eu nunca deveria depender de um homem pra nada, que eu só deveria casar se encontrasse um homem que amasse muito, que eu já sou o suficiente para ser feliz sozinha e acima de tudo me ensinou que mereço ser respeitada, que nunca deveria deixar ninguém gritar comigo, fosse chefe, namorado, professor, qualquer pessoa, homem ou mulher, porque é aí onde começa a falta de respeito.

A cultura do estupro e o direito de ir e vir

Minha mãe (vódrasta) é a mulher mais forte que eu conheço, quando vim morar com meu pai já tinha corpo de adulta, era gordinha, por isso quando tinha por volta de 9 anos ouvi assédio na rua e minha mãe biológica dizia que isso era normal, que era elogio, mas isso fazia eu me sentir suja, imprópria, até que um dia comentei isso com minha mãe (vódrasta) e ela me acalmou, falou que era horrível mesmo, explicou o assédio, e me deu todas as lições que ouvimos a vida toda, para não usar roupas curtas e justas, não andar em determinados lugares, não sair na rua à noite e a temer os “instintos” masculinos, porque infelizmente, é a única forma que ainda conhecemos de evitar o assédio e o estupro.

Tenho uma tia que aos 42 anos foi estuprada, voltando do trabalho de enfermeira as 5h da manhã em Diadema. Ela engravidou, foi pra Brasilia, conseguiu abortar com 6 meses de gestação, e implantar esta lei que hoje tentam derrubar, me dói até a alma saber disso, hoje ela não está mais aqui para ver este crime acontecer, mas ela não merecia também saber que a luta dela pode acabar em vão.

Cresci com medo de assédio, já achei errado mulher usar roupas curtas e justas, ficar bêbada na balada, já achei tantas coisas erradas e graças ao feminismo entendo o quanto estamos presas à sociedade patriarcal e o quanto tudo leva de volta à cultura do estupro. E também traz de volta leva àquilo que meu pai me ensinou, que temos que ser respeitadas, fazendo o que quisermos fazer.

O quê muitas de nós ainda não percebeu é que não temos o direito de ir e vir, o quê não é normal, não é constitucional!

Sororidade

E então entro em outro ponto do feminismo, a sororidade. Precisamos confiar umas nas outras, precisamos nos unir, precisamos entender que se seu boy te trai, foi ele quem te traiu, não a outra moça. Precisamos entender que enquanto muitas competem entre si pra saber qual é a mais bonita, mais bem sucedida, casou com o melhor marido, tem uma de nós sendo estuprada por 33 homens. Enquanto você fica gritando com a sua funcionária pra mostrar que é você quem manda mais na empresa, tem um monte de novinha no fluxo achando que é assim que ela vai ganhar mais atenção. Por isso, precisamos antes de mais nada olhar pra dentro, começar a entender que senão nos unirmos coisas como o que aconteceu com a Beatriz vão continuar acontecendo. Sozinhas não vamos mudar o mundo, mas sozinhas podemos começar, competindo menos com as amiga, ajudando mais, mesmo que seja com pequenas atitudes, por que isso sim já muda o mundo.

Sobre o feminismo, a ONG Think Olga (link aqui) tem me ajudado muito a compreender mais sobre o assunto.

Também tem um Ted Talks da Roxane Gay, fantástico que vale a pena assistir que coloquei o link abaixo

O site Não sou exposição (link aqui) fala sobre a obsessão da cultura do corpo, também é excelente, vale a pena ficar de olho. E tem as outras fanpages interessantíssima.

O importante é, feminismo não é modinha, não é fase, não é partidarismo, é parte de quem somos, é uma bandeira para homens e mulheres de bem, é uma luta pelo nosso direito de ir e vir.

Quem leu até o fim , obrigada! rs Comentem lá na fanpage!

Beijos,

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Marci Marciano

"Vejo a moda como a principal ferramenta para expressar aquilo que somos e elevar a auto estima."

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